Collab Archive

  • Você conhece os benefícios dos prebióticos na alimentação? Aprenda duas receitas!

    Os prebióticos são alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes, verdeuras, tubérculos e grãos integrais | Foto: Reprodução

    por Anna Luiza Vasconcelos, Nutricionista

    Além de serem importantes para manter o trânsito intestinal, as fibras reduzem o índice glicêmico dos alimentos e ajudam no combate de dislipidemias. Elas têm a importante função prebiótica.

    As fibras servem de alimentos para as bactérias boas do nosso intestino, para que elas se multipliquem de forma saudável e desempenhe suas funções.

    Muitas vezes não conseguimos atingir a quantidade de fibras corretas no nosso dia a dia para desfrutar de todos esses benefícios. Então, podemos adicionar alimentos ricos em fibras para equilibrar nosso intestino. Um desses alimentos, é a biomassa de banana verde, que é rica em amido resistente, uma fibra com sabor neutro, de fácil acesso e que na culinária possui a função de espessante, podendo ser utilizada para deixar os alimentos mais encorpados.

    Além da biomassa de banana, também trouxe uma forma de incluí-la em um chocolate quente para aproveitarmos o friozinho de julho.

    Biomassa de Banana Verde:
    INGREDIENTES:
    – 3 Bananas verdes
    – Água para cobrir as bananas na panela
    MODO DE PREPARO:
    Cozinhe em uma panela de pressão por 20 minutos.

    Chocolate Quente:
    – 200 ml de leite de sua preferência
    – 25g de chocolate amargo
    – 1 colher de sopa de biomassa de banana verde
    – Adoçante à gosto (opcional)

    Confira o vídeo disponível em @RenerOliveiraCom :

  • Alimentação saudável durante a pandemia

    por Anna Luiza Vasconcellos

    O nosso intestino tem funções que vão além da digestão e absorção dos alimentos. Dentre suas funções, a flora intestinal e seus metabólitos, como ácidos graxos de cadeia curta e lipopolissacarídeos, fazem parte da barreira imune da mucosa intestinal, que desempenham importantes papeis na proteção contra infecções, inclusive as do trato respiratório como a síndrome respiratória aguda, causada pelo COVID 19.

    Aposte em uma alimentação saudável e variada durante a pandemia | Foto: Reprodução

    Quando essa barreira intestinal não está saudável, facilitamos a entrada em nosso organismo de microorganismos patógenos .
    Pensando no momento atual de pandemia, deixo aqui, algumas dicas de alimentação para manter um intestino saudável.

    1. Comer frutas e legumes variados, além de alimentos ricos em fibras pois estimula o crescimento de boas bactérias no intestino.
    2. Uso de alimentos probiótico: Os alimentos fermentados ajudam na colonização de bactérias boas.
    3. Beber muita água: A hidratação melhora o ambiente intestinal.
    4. Evite alimentos industrializados e com alto teor de carboidratos refinados: O consumo desses alimentos afeta negativamente a flora intestinal.

    Anna Luiza Vasconcelos
    Nutricionista
    CRN – 6
    32.189

  • Mulheres na política: baixa representatividade nos espaços de poder na luta por direitos

    Por: Emily Avelino

    2020 tá diferente, né?

    Mas, algumas coisas ainda persistem em permanecer iguais (ou quase). Se colocarmos a questão de gênero no debate sobre a ocupação dos espaços de poder, então… falamos horas a fio, sinalizando como a democracia plena ainda é um sonho distante. Temem o feminismo, pois reconhecem o impacto transformador do movimento, que atua como contra dispositivo, nesta sociedade injusta, onde calam vozes, sexualidades, raças, classes. Não suportam o diferente. Não suportam a perda dos privilégios, que são mantidos à base dos sacrifícios das que desejam manter em posição de objeto, no espaço sem transcendia: “eterno feminino”. É desumano. Ser objeto dói. Antes, as falas não eram ouvidas. Hoje, os gritos ensurdecem.

    via: Débora Islas/CLAUDIA

    Mesmo assim, o patriarcado ainda se aproveita, principalmente, das mulheres que ainda não conseguiram recuperar, por meio de consciências alheias, seus corpos e suas relações com o mundo. O sistema patriarcal suga, a partir da ideia de que tudo está na “ordem das coisas” (na verdade, não passa da construção social imposta), sendo insistente no desejo de determinar destinos. Uma prova disso é como as mulheres estão inseridas em dinâmicas sociais de desvantagem: na divisão sexual do trabalho, nos cuidados e responsabilidades, na família e maternidade, no aborto, na sexualidade e autonomia. Tudo isso interfere diretamente nas condições de vida do ser de sexo ou gênero feminino, consequentemente, em menores oportunidades de atuação política para propositura de mudanças em espaços de maior abrangência pública.

    Ou seja, a política é mantida, em suas estruturas, como espaços masculinos, provocando, de forma clara, a exclusão de mulheres e outros grupos que foram historicamente subalternizados, por carregarem o peso de serem quem são. Mas, a esperança ainda mora no peito. De fato, mais mulheres do que nunca estão sendo eleitas para os parlamentos ao redor do mundo, mesmo assim, a igualdade ainda está muito longe; e, não custa lembrar, o progresso atual é bastante letárgico – sem contar as inúmeras tentativas de revogação de direitos. Vale destacar que grande parte dos parlamentos ainda é, vigorosamente, dominada por homens, e alguns não têm deputadas – fator demasiadamente negativo. Mesmo onde as mulheres estão presentes em maior número, os tetos de vidro geralmente permanecem firmes, constatando que as matrizes de dominação continuam patriarcais e colonialistas.

    Segundo o Inter-Parliamentary Union (IPU), o Brasil é um dos piores países em termos de representatividade política feminina, ocupando o segundo lugar na América do Sul em menor representação parlamentar de mulheres, ficando atrás somente do Paraguai. O governo de Bolsonaro, entre os 23 ministérios em funcionamento em junho deste ano de 2020, tem somente 8,69% de representatividade feminina, com Damares Alves ocupando o cargo de ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e Tereza Cristina no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A média mundial de nomeação feminina para os ministérios/equivalentes é de 20,7%, que representa a maior já registrada. Será que as mulheres brasileiras são, de fato, representadas diante deste número?

    Foto: Reprodução

    Entendendo que a interpretação precede a mudança, precisamos de políticos atentos, que saibam pensar com atenção nas questões como as pautas levantadas nos feminismos, que não podem mais permanecer, enfatizo, à margem das noções de democracia. De acordo com o estudo da IPU, o Brasil tem apenas 77 mulheres na Câmara (15% do total) e 7 no Senado (7%). Estão em posição melhor que o Brasil, por exemplo, países de maioria muçulmana como o Iraque (67ª posição) e a Arábia Saudita (109ª). Já as melhores posições são ocupadas por Ruanda, com 63,8% de mulheres na Câmara e 38,5% no Senado, e Cuba, com 53,1% e 47,2%, respectivamente.

    No Brasil, o número de mulheres eleitas se mantém no Senado, mas aumenta na Câmara e nas Assembleias. Sete mulheres foram eleitas para o Senado nas últimas eleições para o pleito. Já na Câmara, foram 77 deputadas, um aumento de 51% em relação a 2014. O número de deputadas estaduais também cresceu 35%. Apesar disso, nenhuma mulher foi eleita para o Senado em 20 estados, em três deles: Acre Bahia e Tocantins, não houve candidatas. O Rio Grande do Norte (RN) foi o único no país a eleger uma mulher para o cargo de governadora. Ainda segundo pesquisa realizada pela IPU, 82% das parlamentares foram vítimas de violência psicológica, dificultando a permanência feminina nesses espaços de poder.

    As porcentagens para candidatas nas eleições não são suficientes para garantia de igualdade das mulheres no Parlamento, demonstrando que, se não ocorrer uma mudança efetiva no sistema eleitoral, a baixa representatividade feminina da política brasileira poderá permanecer e, em consequência disto, não haverá uma democracia forte. Além disso, não é considerado, ao longo do processo eleitoral, que as mulheres que concorrem às eleições enfrentam inúmeros desafios, incluindo, dentre outros, abordar a discriminação ou crenças culturais que limitam o papel das mulheres na sociedade, equilibrando a vida privada, familiar e política, obtendo apoio de partidos políticos e assegurando financiamento para campanhas.

    Elas também podem sofrer violências, assédios e intimidações. Algumas mulheres podem até ser dissuadidas de concorrer ao cargo, deixando os homens nas posições de poder. A transformação é possível se houver comprometimento político e estruturas legais e políticas adequadas para proporcionar condições equitativas para mulheres e homens. Sigamos na luta pela conquista de direitos. O feminismo é semelhante à construção de um muro, onde cada tijolo é um direito, reconhecido e garantido, e cada tijolo que é colocado se apoia no anterior. Vamos juntas conhecer e apoiar mais mulheres que possam representar nossos interesses nos parlamentos brasileiros?

  • Leia autores(as) negros(as): 5 livros para entender mais sobre a questão racial

    Por Alice Andrade

    Historicamente, escritoras e escritores negros são invisibilizados no que diz respeito à divulgação de conhecimento. Quando se questiona sobre pensamento social brasileiro, geralmente autores brancos vêm à tona, como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. E onde estão os autores(as) negros? O racismo também é uma prática epistêmica. Ou seja, a opressão sobre negros(as) acontece também no campo do saber. Pessoas negras produzem, sim, conhecimento, mas ao longo do tempo, devido a uma lógica eurocêntrico-ocidental e colonialista, essas produções foram invisibilizadas em detrimento de cânones brancos.

    Nas últimas semanas, a questão racial tem sido constantemente posta em pauta no mundo. O genocídio dos negros no Brasil e o assassinato do americano George Floyd são alguns dos pontos discutidos pelo povo nas redes e nas ruas. São milhares de pessoas que ecoam em uníssono um grito por uma sociedade mais justa e menos racista.

    Nesse contexto, preparamos uma lista com 5 livros para conhecer mais sobre a questão racial, cultura negra e combate ao racismo. Assumir-se parte da cultura antirracista é um compromisso que vem da prática, e a leitura é o primeiro passo para a inserção nesse pluriverso. Busquemos ler escritoras e escritores negros. Nós não podemos ser restringidos ao lugar de “objeto de estudo”, pois também somos protagonistas na construção do conhecimento.

    1 – Pequeno manual Antirracista (Djamila Ribeiro)

    Em seu “Pequeno manual antirracista”, a filósofa Djamila Ribeiro apresenta dez lições para compreender o racismo, reconhecê-lo, se autorreconhecer nesse procedimento opressivo e combatê-lo. Com poucas páginas, mas um conteúdo profundo e imenso, este livro nos auxilia na desconstrução de uma mentalidade escravista e colonial que oprime, reduz e invisibiliza vidas negras.

    2 – O genocídio do negro brasileiro (Abdias Nascimento)

    Segundo o Atlas da Violência de 2019, 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. O genocídio (morte em massa) é uma triste realidade que assola o povo negro desde que chegou ao Brasil. Neste livro, Abdias Nascimento desenvolve uma análise crítica a respeito do mito da “democracia racial”, desconstruindo-o e levantando elementos históricos da desigualdade social vivida por pessoas negras ao longo do tempo – que levam à nossa morte ainda na atualidade.

    3 – Interseccionalidade (Carla Akotirene)

    Escrito pela assistente social e pesquisadora Carla Akotirene, a obra faz parte da coleção Feminismos Plurais e aprofunda, de maneira didática, poética e metafórica, o conceito teórico-metodológico-interpretativo da interseccionalidade. Trata-se de uma sensibilidade analítica que direciona o olhar sobre múltiplos sistemas de opressão que se entrecruzam, como raça, classe e gênero. A partir da interseccionalidade é possível compreender as desigualdades raciais que permeiam a sociedade.

    4 – Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil (Sueli Carneiro)

    Em um compilado de artigos produzidos entre  2001 e 2010, Sueli Carneiro reflete sobre a sociedade brasileira, abordando o racismo, aliado ao gênero, como elemento cotidiano que é estrutural e estruturante. A autora levanta questões da população negra em diversas áreas, como mercado de trabalho, saúde, educação, direitos humanos, miscigenação e moradia.

    5 – Racismo estrutural (Sílvio Almeida)

    Este livro, também integrante da coleção Feminismos Plurais, defende a tese da ocorrência do racismo como uma questão estrutural. Inicialmente, traz os conceitos de raça, preconceito, discriminação e racismo, sendo este uma forma discriminatória que tem a raça como elemento fundamental. O autor também analisa as dimensões individualista, institucional e estrutural do racismo, conectando essas ideias com a ideologia social, a política e o Direito.

    Sobre Alice Andrade

    Jornalista, mestra e doutoranda em Estudos da Mídia (PPgEM/UFRN). Membro do grupo de estudos Epistemologias Subalternas e Comunicação (desCom – @descomufrn). Pesquisadora de mídia e relações étnico-raciais.