• Entrevista: Priscila Jin fala sobre moda, consumo e mitos sobre o oriente

    Pri, conta pra gente um pouco da sua relação com a China? Qual sua história e conexão?

    A minha história com a China começou desde que eu nasci. Meus pais são chineses, nascidos e criados na China. Em casa, a cultura chinesa sempre esteve muito presente. Meus pais sempre gostaram muito de me ensinar, até por isso sei falar mandarim, antes mesmo da China virar “moda” e uma potência mundial.

    Fora de casa tinha a educação brasileira, mas dentro, era 100% chinesa.

    1- Qual a atual relação da China com a COVID-19? Ainda existe muito preconceito por parte do resto do mundo?

    A China até então é considerada como o epicentro da pandemia. Porém, existem diversos estudos dizendo que não, então precisaremos de mais pesquisa para confirmar. Por mais que tenha começado aqui, acho que não é motivo de preconceito. Infelizmente o mundo não vê dessa forma. É tudo muito polarizado. Mesmo com tanto acesso à informação, as pessoas só buscam e querem ouvir e ler, apenas aquilo que elas acreditam.

    As pessoas vivem em uma bolha. Para a visão ocidental, tudo na China é péssimo. Acredito que seja uma falta de querer entender, de curiosidade e de vontade. Não posso falar hoje, em pleno 2021, que seja falta de informação. O que não falta são informações. Por exemplo, em meu Instagram @PriscilaJinn, você consegue olhar a China de uma maneira bem superficial. Não existem só informações jornalísticas, existem várias plataformas que fazem você se aproximar mais.

    Por muitos anos, a China esteve mais distante do ocidente, mas hoje em dia não é mais um motivo da falta de conhecimento. Isso parte devido a falta de vontade de conhecer. Então realmente existe muito preconceito, não dá pra defender.

    2- Como você enxerga o consumo dos chineses em relação aos brasileiros?

    O consumo dos chineses em comparação aos brasileiros é muito maior. A China tem uma população várias vezes maior que o Brasil, questões econômicas e sociais bem distintas. Não dá pra comparar, são realidades diferentes.

    O que eu vejo de diferente nos chineses é que eles tem a questão do sonho de consumo de uma maneira mais capacitada de conquistar aquilo. No Brasil, uma pessoa de classe média nem sempre consegue alcançar aquele sonho. Os chineses, conseguem. Eles culturalmente guardam dinheiro. Só gastam aquilo que tem. Se eles querem uma bolsa eles podem passar anos guardando só para comprar aquela bolsa. O brasileiro não consegue, ele está sempre endividado.

    A relação de rico brasileiro x ricos chineses, é que o chinês realmente gasta muito, mas é um consumo mais por status. Claro que tem uma parte da população que conhece a moda, mas tem outra parte que gasta por status. Virou uma questão social.

    3- Muitas marcas gigantes na moda estão de olho no oriente. Na sua opinião, como e quando esse interesse surgiu? Por quê?

    Muitas marcas realmente estão de olho no oriente. Além de estarem de olho, já estão aqui com uma comunicação única para os chineses. Focando na China, esse interesse surgiu porque os novos ricos estão aqui.

    As pessoas ricas têm esse interesse de consumir por status e as grandes marcas veem uma oportunidade nisso. É uma população que cada vez está mais ligada em criar moda e ditar tendências.

    4- É notável que na China as pessoas são mais fashionistas em sua essência. Existe uma liberdade de expressão maior nas roupas em relação ao Brasil?

    A China tem muita gente. Então os chineses acabam se acostumando com a diversidade. Eles não têm a necessidade de todo mundo se vestir igual, e também não julgam o que os outros estão usando.

    Os chineses se vestem como se sentem bem, o que eles querem. Aqui surgem tendências, modinhas, mas cada grupo pega sua tendência favorita. No Brasil, não. Surgem, por exemplo, três tendências, e as pessoas focam nisso. Na China são bem mais difundidas e as pessoas têm várias maneiras de se expressar.

    5- Dicas de turismo? Quais pontos a gente não pode deixar de conhecer?

    Se você vem pela primeira vez à China, é interessante buscar os pontos turísticos. Indico conhecer Shangai e Pequim. Shanghai por ser o centro de inovação e tecnologia. É tudo muito grandioso. E Pequim por ser a capital da China. Então você consegue conferir a história, curiosidade e a Muralha da China.

    6- Muito se fala sobre as lojas on-line e suas produções em massa. Como vocês enxergam esses processos? Existem questionamentos sobre as formas que essas peças são produzidas?

    Os chineses já estão bem mais acostumados. Como eles já conhecem as questões das fábricas, dos avanços, eles não questionam. É realmente uma ideia ocidental que na China é tudo mal feito ou tem trabalho escravo. As pessoas precisam entender com o olhar Chinês.

    Os jovens que já foram pra fora e que entendem as questões sociais, questionam sobre a fast-fashion, essa moda que é muito rápida, que usa e joga fora.

    7- Qual a relação dos chineses com a nova contratação da Jin Xing na Dior?

    Aqui na China é bem diferente. Como o Brasil é um país muito homofóbico, é uma conquista. Uma parte dos chineses não falam muito sobre isso, porém, por outro lado, outra parte não se incomoda com as orientações sexuais das pessoas.

    A Jin Xing tem uma história linda e muito bem aceita. É uma artista com uma opinião muito forte e respeitada. Ela tinha um programa de televisão só dela.

    Na China, eu nunca vi ninguém ser atacado por ser gay. Claro que existem os tabus, mas pela Dior ser uma grande marca global, pode está de olho em uma estratégia de branding.

  • Homenagem ou Apropriação Cultural? Arte nordestina aparece em nova coleção da Alexander McQueen

    Muito se fala das referências na moda. A linha é muito tênue quando pontuamos inspiração x cópia, ou homenagem x apropriação cultural. Não é de hoje que o mix cultural ao redor do mundo vem servindo de inspiração para diversos povos, os intercâmbios culturais são cada vez mais bem-vindos num mundo globalizado. Essas pautas acabam caindo nas principais rodas quando batemos os olhos e nos questionamos o lugar de pertencimento de cada obra.

    Na coleção mais recente da marca britânica, Alexander McQueen, nos deparamos com uma estampa tipicamente… nordestina! Sim, estamos falando sobre a xilogravura de cordel, característica da região nordeste, e usada para contar nossa história.

    Antes de aplaudir, precisamos entender a diferença entre homenagem e apropriação. Segundo o site Brasil Escola, “A apropriação cultural ocorre quando uma pessoa ou grupo social hegemônico em uma sociedade passa a reproduzir comportamentos, hábitos, vestuários, objetos, linguagens de grupos sociais marginalizados. Essa prática desinveste o significado sagrado ou político que esses últimos conferem aos elementos culturais, substituindo-os por outros significados, geralmente ligados ao entretenimento e à estética, promovendo o esvaziamento e colonização desses elementos sem, em contrapartida, gerar benefícios ao grupo que produziu aquela cultura”.

    Diferente da homenagem, que cita e fomenta o artista ou autor da obra, a apropriação nada mais é que o uso indevido de uma cultura simplesmente pelo capitalismo. Existem diversas formas de trazer outras culturas para o centro da conversa. Não só marcas internacionais, mas aqui no Brasil, também temos exemplos de regiões que se apropriam de certas características para vender suas criações. Por que não convidar esses pequenos artistas e impulsionar suas culturas?

    Essa não foi a primeira vez que vimos símbolos do #nordeste sendo pauta na moda internacional. Como não lembrar da sandália de couro da Prada, que encontramos facilmente nas tradicionais feiras-livres ou casas de artesãos?

    A moda é uma indústria cheia de criativos. Não precisamos ir por esses caminhos.

  • Como o mercado de luxo se mantém relevante em tempos de crise?

    Influenciadora italiana, Chiara Ferragni é nomeada embaixadora global da Bvlgari / Foto: Giulio Rustichelli/Divulgação

    O mercado de luxo sempre esteve diretamente ou indiretamente ligado aos nossos desejos de consumo. Mesmo que não tenhamos em nossos armários peças do alto escalão das marcas, é provável que um acessório ou perfume das nossas grifes favoritas, estejam presentes no dia-a-dia.

    É fato que essas marcas centenárias estão firmes e fortes durante muitos anos por um único motivo: relevância. E essa relevância não vem apenas através de um monograma impactante ou até mesmo de um designer exclusivo – estamos falando de olhar. Por mais que exista toda uma ancestralidade e história, o luxo busca pelo cheiro do novo. Como não falar sobre a inserção em massa de artistas asiáticos da nova geração nas campanhas de moda? Ou até mesmo da influenciadora italiana, Chiara Ferragni, como embaixadora global da joalheria Bvlgari?

    Tudo tem um motivo, e a Bvlgari, assim como outras marcas, enxerga oportunidades através dos novos compradores que buscam para além do objeto e fomentam o propósito. Criar esse universo precisa ser genuíno e inteiramente conectado. Não existe forma melhor para saber os novos movimentos da sociedade, do que trazer uma personagem da vida real para o debate. Mesmo que estejamos rodeados de referências das décadas passadas, nós não vivemos mais lá. É preciso acompanhar o processo.

    Outro fato importante sobre Ferragni, é que ela também faz parte de outra label de luxo, a Tod’s. Após sua nomeação no conselho administrativo da marca, a Tod’s disparou suas ações em 12%, melhor número comparado ao ano passado.

    Assim como as duas outras marcas citadas, o grupo italiano, Aeffe, também assinou contrato com Chiara e suas ações também subiram em 10%.

    Todos querem um pedaço do novo mundo. O luxo nos ensina. Esse mercado para quem está apto a entendê-lo para além da futilidade ou do valor financeiro, tem muito mais a nos ensinar do que vender uma bolsa.

    Será que sua marca está pronta para acompanhar os novos formatos de se comunicar ou está apenas atrás de engajamento supérfluo nas redes sociais?

  • Entrevista: Geová Rodrigues e a reinvenção da moda através do upcycling

    Potiguar radicado em NY, Geová Rodrigues é considerado percursor do upcycling | Foto: Cláudio Selma/Divulgação

    O nosso entrevistado vem diretamente de Barcelona, mas não aquela na Espanha, e sim, a Barcelona no interior do Rio Grande do Norte.

    Geová Rodrigues é mundialmente conhecido por sua colaboração na indústria da moda através do upcycling. A prática da reciclagem vem de gerações. Geová pontua que a sua mãe já repaginava coisas da casa, como as panelas de ágata antigas que viravam vasos de flores. Assim como as roupas dos irmãos mais velhos, trazendo a novidade para os mais novos.

    Recorda do Rio Grande do Norte com carinho, onde teve os primeiros sonhos, a primeira notícia de moda, quando ouviu falar sobre Dener Pamplona e Clodovil, onde também se conectou com a música, o teatro e a política. Relembra Barcelona como o começo, mas se considera como um “senhor do mundo”.

    Geová ganhou o mundo nos anos 80s ao tentar a vida em São Paulo. Começou como artista plástico, fazendo exposições da Conexão Urbana entre Rio de Janeiro e São Paulo.

    Sempre fomentando a reciclagem, os descartes da badalada rua Oscar Freire serviam de matéria prima para suas obras. Em uma das exposições, um empresário paulista arrematou tudo e, com esse dinheiro, Geová seguiu para Paris, em seguida foi morar nos Estados Unidos, e vive em Nova York, mas especificamente no bairro East Village, região que o acolheu de bom grado. Conhecido como berço da cena underground, o East Village serviu de ponto de partida para artistas como Madonna e Andy Warhol.

    Em 1998, Geová Rodrigues fez debut na moda diretamente da Nova York Fashion Week.

    Gisele Bündchen usando biquíni Geová Rodrigues para Haper’s Baazar America | Foto: Reprodução

    Nesses 20 anos de moda, passei a ser mais confiante, me lapidei bastante e aprendi mais técnicas para o meu trabalho. Tudo mudou, mas a essência é a mesma. Hoje, as grandes marcas falam sobre de onde a roupa é feita, por quem é feita e isso é muito bacana. Nome e endereço para os artistas e estilistas. A única coisa que eu acho até melhor agora, é que não fico naquela carência de pertencimento. Eu vou ao Brasil, Japão e Paris, e faço um pop-up. É um circo, me considero um estilista de circo. Armo minha barraca em qualquer lugar, mas tenho meu ateliê aqui no East Village. Eu não me preocupo muito com esses movimentos, só me preocupo de ficar trabalhando. Dou notícia para o mundo através da internet, mas continuo a mesma coisa, antes eu tinha 20, agora estou com 50 anos. Mas meu trabalho segue na mesma energia”, brinca o designer.

    Há mais de 20 anos em NY, Geová Rodrigues faz arte através das roupas | Foto: Tiago Chediak

    Geová procura viver a magia do momento e se reinventa através das suas criações. Seus materiais, eram descartes de grandes marcas como a Donna Karan e Calvin Klein, por exemplo.

    Há 21 anos eu fiz o meu primeiro desfile. Eu fui selecionado entre 10 estilistas europeus e americanos para fazer uma coleção inspirada no carro Focus, da Ford. Cada estilista tinha que fazer uma coleção com materiais como cintos de segurança, airbags, couro dos bancos e direção. Acabei ganhando o concurso e o carro. Essa coleção está exposta no museu da Ford em Michigan. Todos os meus trabalhos eram upcycling e eu não tinha noção disso. Nem o mundo tinha. Eu sou um dos primeiros estilistas aqui em NY a fazer isso. Então, as revistas do mundo inteiro fizeram material comigo. Upcycling é transformar o velho no novo, o resto é invenção”, completa.

    O estilista parte do princípio do slow fashion, da criação pela arte, e de não se preocupar muito com o modo acelerado que a moda corre. “A rapidez é no pensamento, numa ideia. No “fazer”, estou desacelerando. Não sei sobre o futuro da moda. Faz um ano que diariamente quando acordamos, tá tudo diferente. Vamos continuar fazendo”, afirma.

    Hoje em dia, Geová garimpa em brechós, compra peças vintages, recebe tecidos de amigos estilistas e cria a partir disso. As costumizações se fazem presentes em seu ateliê, que fica na 208 Avenue B, East Village, NY-NY. Pense em artigos Louis Vuitton, Hermès, Comme des Garços, Prada, Rick Owens e Vivienne Westwood, mas com o DNA inconfundível que só Geová Rodrigues tem.

    E o futuro? “Espero que esteja como estou agora: vivo, alegre e feliz, com a mesma energia, amigos, família e criatividade. Eu quero ser igual ao Picasso, morrer trabalhando até onde o meu coração pulsar. E o resto, é resto”, finaliza o estilista.

  • O artesanato poético da Renda Frivolitê, direto do interior do RN

    Outro dia em uma live com o estilista, Marcus Figueiredo, da Moda de Pedro, a Daniela Falcão , mencionou que o artesanato made in nordeste, se assemelha muito com a Alta Costura, na qual por 15 anos, acompanhou de perto quando pilotava a Vogue Brasil.

    E ela tinha razão: o nosso país está cheio de artistas que fazem trabalhos beirando a poesia. Uma dessas artes, é a renda Frivolitê. Dizem que sua primeira menção se deu por volta de 1707, no poema “The Royal Knotter”, de Sir Charles Sedley, que cita a Rainha Mary II “fazendo frivolité”. Conheci a renda durante minha visita a Passa e Fica/RN, no último final de semana. A técnica que passa por gerações, conta com pouquíssimas artesãs que dominam. O ponto é tão delicado que é de se impressionar que tudo seja feito manualmente apenas com auxílio da navete, uma lançadeira que auxilia na confecção dos nós.

    A história do Frivolitê está ligada diretamente ao início de Passa e Fica, sendo trazida pela esposa do primeiro prefeito da cidade, onde a mesma fomentava outras mulheres para que essa técnica não caísse no esquecimento. Hoje, uma das artistas que leva a renda Frivolitê para frente, é a Cláudia Medeiros, do @FrivoliteCM. Precisamos valorizar o que temos de melhor em nossa região. A moda se faz por pessoas que contam história, e Cláudia é uma delas. Quem se interessar, pode encontrar as peças também diretamente na @casadoartesaopfrn.

  • Entrevista: Hugo Cavalari fala sobre moda, negócios e redes sociais

    Empresário e ex-modelo, Hugo Cavalari fala sobre negócios e redes sociais |Foto: Divulgação

    O que você faria se tivesse uma conta no Instagram com mais de 100 mil seguidores? Parece loucura, mas o empresário, Hugo Cavalari, desativou e resolveu criar um novo perfil do zero, afim de entender os novos formatos de se conectar com as pessoas.

    Trabalhando com marketing digital desde 2014, o ex-modelo viu na internet mil e uma possibilidades para transformar a maneira tradicional das empresas e conecta-las com os criadores de conteúdo digital.

    Com uma bagagem na área da moda e contatos preciosos, Hugo deixou a modelagem para trás e mirou certeiramente na sua HC Agência. Na nossa entrevista, falamos sobre moda, carreira e redes sociais.

    Rener Oliveira: Hugo, você começou sua carreira sendo modelo. Como você avalia o atual cenário para quem quer iniciar no ramo, mas não tem uma presença digital forte? As marcas ainda se conectam com esses perfis?

    Hugo Cavalari: Quando comecei como modelo, era um cenário completamente diferente. O digital estava começando e as marcas nem pensavam nisso. Com o passar do tempo, vi o cenário mudar. Os influenciadores ganharam muito peso dentro da moda. Não só a moda, mas as empresas em geral achavam que os influenciadores eram voltados apenas para um público infantil. Quando passaram a perceber que os influenciadores vendiam, a chave girou.

    Hoje em dia as marcas buscam muito por “modelo influencer”, que já tenham audiência e credibilidade na internet. Isso ajuda consequentemente a marca vender não só com imagem, mas com receita financeira relacionada a audiência.

    Mas ainda existe espaço para os modelos low profile. O ponto é que o modelo perdeu um pouco de espaço de mercado por ter surgido muitas outras possibilidades.

    RO: Você considera que tudo precisa ser conteúdo? Hoje existe espaço para posts sem propósito?

    HC: Rede social tem espaço para imagem. Mas, só por imagem, a ela não vive. A pessoa tem que ter carisma, humanizar e conversar com a audiência. Imagem vende. Mas não é só.

    Cada vez mais tem que trazer algum tipo de informação para a audiência. Toda empresa é uma marca, assim como toda pessoa física. Óbvio que o Instagram de um fotógrafo, por exemplo, funciona só com imagem. Mas o fotógrafo não está só vendendo a imagem. Ele aborda todos os processos de criação. Ele vende a imagem com a informação e impacta a audiência de várias formas.

    RO: Como e quando você decidiu mudar de profissão e como você enxerga os posicionamentos da nova geração sobre trabalho?  A internet realmente vai conseguir monetizar todo mundo? 

    HC: Eu comecei a perceber que o mercado de moda não ia se sustentar por conta da forte entrada do mercado de influência. Por volta de 2014/2015, eu já via que as marcas buscavam se conectar com os influencers. Eu mesmo já fazia alguns trabalhos de influenciador, ações de redes sociais, ainda sendo modelo. Eu vi que o “belo” estava mudando. As empresas passaram a olhar para a diversidade e haviam dois movimentos fortes que estavam tomando espaço do estilo de modelos mais antigos. A partir disso resolvi focar na agência, que era o que vinha me dando resultado. Foi a melhor escolha que eu fiz.

    RO: Falando sobre criação de conteúdo, existe uma regra, ou a singularidade de cada um vai ser a maior fonte de inspiração? 

    HC: Quando a gente fala em produção de conteúdo, existe algo que falo sempre: conteúdo é commodity. Tem de monte na internet. O ponto é como você comunica aquela notícia para a sua audiência. Ai vem autoralidade, a singularidade e você saber passar a informação do seu jeito.

    RO: Como especialista, quais as principais mudanças que você enxerga para quem ainda não está inserido digitalmente? Todos precisam estar online? 

    HC: Eu tinha uma conta com mais de 100 mil seguidores e resolvi começar uma do zero. Se eu posso passar uma mensagem para as pessoas é: comece. Não tenha medo de começar. Sou uma prova viva disso. Sendo bem sincero, independente do momento da vida da pessoa, que ela entre de cabeça e aprenda a produzir conteúdo de verdade. Se manter constância, o resultado vai chegar. Hoje não existe um modelo de negócio que não esteja na internet.

  • O luxo pode ser sustentável? Conheça 3 iniciativas da Gucci

    Quando pensamos em marcas de luxo, o que vem em primeiro lugar são peças de alto padrão, qualidade e valor monetário coerente com a execução. Mas, a Gucci está destinada a mudar o rumo dessa indústria com unhas, dentes e sustentabilidade. É ainda difícil visualizar um cenário 100% ecofriendly, mas são com pequenas ações que passamos a moldar a realidade do mercado da moda.

    Pensando nisso, no post de hoje, te mostro 3 iniciativas da Gucci para uma moda mais verde:

    1- Ontem a marca divulgou suas novas embalagens, com todo o papel e papelão vindo de fontes florestais manejadas de forma sustentável. O papel usa menos tinta e não é revestido para garantir que seja totalmente reciclável. Fora isso, as dust bags, cabides e laços também são amigas do meio ambiente. 

    2- Para manter a transparência e pensar em formas e fórmulas para uma produção ainda menos poluente, foi criada a plataforma “Gucci Equilibrium”. O espaço serve como um portfólio/vitrine para que a Gucci possa mostrar os feitos da marca, além de servir como base de pesquisa para uma indústria mais sustentável e igualitária para todos. Exemplo disso é a meta para 2025, tornando a igualdade de gênero na empresa totalmente horizontal. 

    3- Ano passado, o diretor-criativo da Gucci, Alessandro Micheli, lançou a  Circular Lines, linha que promove uma moda sustentável fomentando materiais de origem orgânica e reciclável, como o .ECONYL®, criado a partir de retalhos de nylon. Além disso, as peças da coleção não tem gênero. Ponto para a Gucci! 

    Gostou do post? Me conta nos comentários outras marcas que também pontuam uma moda mais sustentável!

  • Botegga Veneta e o MKT de Influência

    Oi, sumida! Pouco mais de um mês após o desaparecimento das redes sociais, temos uma pista sobre como a Bottega Veneta irá se comunicar digitalmente. Segundo o presidente do conglomerado de luxo Kering, François-Henri Pinault, a Bottega assumirá participação digital através de seus embaixadores, clientes e amantes da marca.

    Em relação à estratégia de comunicação digital, ela não está desaparecendo das redes sociais – está apenas usando-as de forma diferente. A Bottega decidiu, de acordo com seu posicionamento, apoiar-se muito mais em seus embaixadores e fãs, dando-lhes o material de que precisam para falar sobre a marca por meio de várias redes sociais, permitindo que eles falem pela marca em vez de fazerem por si próprios ”,afirma François.

    Diz que a estratégia não se diferencia muito da utilizada pela concorrente Balenciaga, na qual posta fotos de seguidores com os produtos da marca, sem legenda, nem nada.

    A Bottega Veneta sempre teve um posicionamento low profile, o que não nos assusta com a decisão. O Marketing de Influência, sendo assim, é uma alternativa plausível para as estratégias de venda da casa italiana.

    Nomes fashion como os das modelos Rosie Huntington-Whiteley e Hailey Bieber, são figurinhas carimbadas no impulsionamento da Bottega. A marca já faz parte do lifestyle e conversa diretamente com a estética das duas. O perfil da Rosie passa a ser uma vitrine da marca em todos os seus tons e traços.

    Vale lembrar que aqui no Brasil, por exemplo, já utilizam do mesmo artifício para fortalecer a imagem e criar conexões com o público. Tipo a atriz Marina Ruy Barbosa para o ZZ Mall, e a cantora Iza, para Olympkus.

    Dentro do grupo Kering existem outras grandes marcas como Gucci e Saint Laurent. Isso serve para deixar claro que, na moda e na vida, não existe o certo e o errado. O que funciona para mim, pode não funcionar para você. E é essa reflexão que a Bottega deixa. Você tem conversado com o seu público?

  • Os highlights da Semana de Moda de Milão

    Nos últimos dias acompanhamos a Milan Fashion Week, semana de moda responsável por trazer várias casas de moda tradicionais em seu calendário. No post de hoje, vamos fazer aquele clássico resumo do que rolou de mais cool durante os desfiles, e pontuar as tendências da próxima estação.

    MISSONI

    A italiana Missoni nos convida para voltar a “vida normal” em sua nova coleção. A marca segue o seu DNA e aposta em roupas duráveis, desmistificando os códigos antigos de temporadas, onde as estações se unem para um closet mais inteligente e usual.

    Pense no oversize como ponto chave nas próximas produções. A tendência de loungewear cai como uma luva para esse momento que estamos passando. Praticidade é o ponto, mas isso não quer dizer que precisamos ser boring.

    FENDI

    O designer Kim Jones vem fazendo barulho na moda após assumir a direção criativa da Fendi. Na semana de Alta Costura, Jones fez o debut na marca e celebrou os laços familiares. Para a sua primeira coleção ready-to-wear, o estilista revisitou o passado da maison italiana, e teve Roma como ponto de partida para suas criações.

    Pense em cores sóbrias, peles reultilizadas de coleções passadas e sobreposições. É interessante observar como um bom estilista consegue revisitar e pontuar seu olhar sem copiar o que já foi feito no passado.

    É lindo ver como ele percebe com um olhar diferente…. Seu histórico nos mostra que ele entende os códigos e acho que ele é a pessoa perfeita para levar a Fendi ao próximo nível.“, completa Silvia Venturini Fendi.

    ALBERTA FERRETI

    Alberta Ferreti se concentrou em uma coleção mais sólida, que faz referência ao universo feminino e todas as suas variantes- trabalho, praticidade, conforto e beleza. É uma coleção que segue em tons neutros, fomentando o preto, verde oliva e terrosos. É claro que o glam aparece em produções de longos em dourado e franjas, além do drama nos modelos de encerramento, com o preto dando rasante mais uma vez na passarela.

    PRADA

    O “namoro” de Miuccia Prada e Raf Simons não poderia ser mais certeiro. A dupla consegue passear por vários códigos da moda, e nos entregou uma coleção cheia de referências, peças hit, silhuetas que passeiam entre o masculino e feminino, além de fomentar o uso de pele fake. Nada mais chic, né? Os símbolos da Prada conseguem se destacar do início ao fim. Isso que chamamos de uma boa história.

    MOSCHINO

    A Moschino sempre nos leva para um lado mais lúdico, fun e cool da moda. Jeremy Scott sabe como ninguém trazer peças que, por muitas vezes, trazem a fantasia que precisamos para seguir. Através de vídeo, Moschino nos convidou para uma antiga Hollywood cheia de glamour e pompa, contando a história do guarda-roupa da mulher multifacetada, que trabalha, viaja e comparecer nas noites da sociedade. A apresentação contou com várias celebridades, como Hailey Bieber, Miranda Kerr e Winnie Harlow, por exemplo.

    GIORGIO ARMANI

    Giorgio Armani mantem sua essência com uma coleção que busca mesclar o dia com a noite, trazendo cores como o preto e azul marinho em protagonismo, fazendo contraponto em blazers bem executados, pantalonas e saias fluidas em seda. O desfile apresentou também modelos masculinos, que conversavam facilmente com a proposta para as mulheres. Senhor Armani sempre certeiro.

    SALVATORE FERRAGAMO

    Ferragamo está de olho no futuro – e nós também! Com uma coleção que faz referências aos clássicos de sci-fi, a marca nos propõe uma nova alfaiataria com uma roupagem moderna, metálica e sustentável. Boa parte dos tecidos foram de poliéster feito de materiais reciclados.

    PHILOSOPHY

    A Philosophy di Lorenzo Serafini elevou o high school para um outro nível. Dá pra imaginar o figurino de “Harry Potter” em dias atuais, ou até mesmo o elenco de “Gossip Girl” na escadaria do MET. Cores, texturas, recortes, patchwork e brasões se fazem presentes. Mais moderno, impossível.

    EMILIO PUCCI

    A Pucci também revisita seu arquivo e traz sua icônica estampa de lenço em tons mais quentes, aplicadas em macacões de ski ou em jaquetas bomber, por exemplo. O sportwear vem forte, mas não podemos deixar de pontuar os vestidos com aplicações de penas e cristais. Tecidos reciclados também se fazem presente. Podemos vê um movimento de uma moda mais ecológica vindo forte pro aí.

    VALENTINO

    A Valentino nos mostra que a moda poder ser chic, jovem, curta e transparente. Imagina tudo isso sem beirar a vulgaridade? É o que Pierpaolo Piccioli nos mostrou na apresentação. A cartela de cores basicamente se resume no preto e branco. Pense em geometria, peças estruturadas, o contraponto com o dourado que vimos também na Alta Costura da marca, além de fluidez nos vestidos longos. É o melhor entre os dois mundo. É o encontro perfeito entre o punk e o romântico.

    Para mais conteúdos, acompanhe também o Instagram @RenerOliveiraCom .

  • Novato na moda, Charles de Vilmorin, assume direção criativa da Rochas Paris

    Charles de Vilmorin assume a direção criativa da Rochas Paris | Foto: Reprodução

    Há quase um século na indústria da moda, a Rochas Paris anunciou o novato, Charles de Vilmorin, como novo diretor criativo da marca. Vilmorin fez barulho no circuito fashion após suas apresentações na semana de Alta Costura, trazendo uma moda universal, artística e fantasiosa. 

    Com essa notícia a gente volta a refletir sobre esse novo momento da moda, do resgate de grandes casas e na perpetuação de nomes consolidados, mas com uma nova roupagem. Charles mostrou que tem um grande potencial artístico dentro da sua marca homônima. Sendo assim, podemos esperar um flerte entre o DNA da Rochas com o frescor do jovem estilista de 24 anos. 

    É com grande honra que ingressei na maison Rochas como diretor criativo. Rochas é uma marca que ocupa um lugar especial no meu coração devido às raízes da minha família e à sua tradição rica e inspiradora. Mal posso esperar para dar o meu toque pessoal e reinterpretar os códigos desta esplêndida casa ”, afirma Charles de Vilmorin.

  • Entrevista: Laura Wie fala sobre a contribuição da Chanel para a moda, após 50 anos do falecimento da estilista

    Em 2021, são contabilizados 50 anos sem Gabrielle “Coco” Chanel, estilista icônica e polêmica que cravou seu nome na história da moda, se fazendo presente entre gerações e gerações.

    Para falar um pouco mais e entender esse universo criado pela Chanel, convidei a modelo, atriz e apresentadora, Laura Wie, para uma entrevista. Não teria pessoa melhor: durante 15 anos modelando pelas principais passarelas da moda, atuando na peça ‘Mademoiselle Chanel‘, de Marilia Adelaide Amaral, e contracenando com a saudosa Marilia Pêra, Laura entende o universo Chanel como ninguém.

    Laura Wie e Marília Pêra | Foto: Reprodução/Instagram

    Rener Oliveira: Como e quando começou sua relação com a marca?

    Laura Wie: Eu me tornei modelo aos 15 anos em Porto Alegre/RS, morei em São Paulo e logo em seguida mudei para o exterior. Chegando na Europa, eu já sabia quem era a Chanel, era uma marca importante. Tinha certeza que gostaria de trabalhar.

    Mas, o primeiro trabalho aconteceu só em Nova Iorque, quando desfilei em um evento da marca. Já falando do Karl Lagerfeld, meu contato não foi pela Chanel, e sim, pela marca homônima do Karl.

    R.O: Há 50 anos faleceu Coco Chanel, em Paris. Fazendo uma análise, como você avalia a contribuição da marca/estilsta para as novas gerações da moda?

    L.W: O que Chanel criou e popularizou é usado até hoje. Honestamente não acredito que exista mais nada para ser criado. Tudo já foi feito! Até o século XIX, havia muita coisa a ser feita, então todas as invenções foram executadas no século XX. Exemplo disso, é que chegamos no extremo da informalidade, onde não precisamos de muitos panos para se vestir.

    Chanel absorveu a atmosfera da mulher moderna que precisava entrar no mercado de trabalho. Eventualmente, foi copiada pelas grandes lojas de departamento, que já existiam na época. Para ter roupas da Chanel, a pessoa precisava (e precisa) ter muito dinheiro, mas seu conceito correu o mundo ocidental. Então o que ela deixou para as novas gerações? Nada. Chanel fez tudo! A herança foi a questão visionária.

    Então, o que iremos dizer para novas gerações? Não precisamos de criação super inventiva de novas peças, mas sim, um uso de tecidos sustentáveis, cuidando com o meio ambiente.

    Acredito que a nova geração deva olhar para o cliente final de uma maneira muito cuidadosa, revendo a transparência na hora da execução das peças e não fomentando o trabalho escravo na moda.

    Laura Wie e Karl Largefeld | Foto: Reprodução

    R.O: Para quem estuda moda e suas grandes biografias, sabe que Coco Chanel teve uma história nada feliz e muito polêmica. Você acha que se naquela época tivesse Instagram, por exemplo, a estilista conseguiria ter pautado uma carreira de sucesso como pautou?

    L.W: Acredito que ela teria pautado da mesma forma que pautou. Chanel era um ícone da moda. Sendo esse ícone, ela servia de exemplo e modelo das próprias criações, fazendo com que a sociedade ao redor quisesse também. Chanel fez isso dentro da sociedade francesa da época, o Instagram faz isso dentro do mundo inteiro.

    Ela se daria bem com o Instagram. Te falo mais, Coco Chanel fez milhares e milhares de fotos, ela adorava, e se fotografava sempre.

    A questão da infelicidade foi momentânea. Sofreu muito com o falecimento do Boy Capel, grande amor da vida dela. As pessoas ficam viúvas eventualmente e seguem com felicidade em outras coisas. Chanel tinha outros amantes, trabalhava e se divertia muito. Chanel não era infeliz, era solitária. Existe uma diferença entre isso.

    R.O: Chanel libertou as mulheres de vários estigmas machistas, começando pelas roupas e mostrando independência. Será que ela sabia a importância das suas ações para o futuro da luta feminina?

    L.W: Sabia totalmente das suas ações em prol do futuro das mulheres. No final do século XIX, Chanel era uma jovem que observava o que estava acontecendo e simplificou o guarda roupa das mulheres. Em 1914, ela já tinha lojas abertas, e precisou simplificar ainda mais as roupas durante a Primeira Guerra Mundial, pois as mulheres precisavam se manter sem os maridos que estavam na guerra.

    Nada caiu no colo dela por acaso. Era uma marketeira natural e teve sorte, sim. Mas teve umas situações que ela não controlou, como no caso da Jackie Kennedy que estava usando o tailleur rosa, e o John Kennedy foi assassinado em Dallas. Foi uma situação triste, mas foi um marketing positivo para a marca. Na mesma década de 60, a Marilyn Monroe fotografou com o Chanel n º5. A Coco Chanel era super consciente do seu valor.

    Jackie Kennedy e Marilyn Monroe | Fotos: Reprodução

    R.O: O que a marca tem que as pessoas jamais encontram em outra maison?

    L.W: A grife Chanel traz história, tradição, contemporaneidade e, ao mesmo tempo, estilo, beleza, feminilidade, praticidade, charme e elegância. Vestir Chanel é trazer consigo um pouquinho da vibração daquela mulher que respirava autonomia, força, determinação e era uma visionária, se situando à frente de seu tempo.

    R.O: Impossível não pontuar sua participação na peça ‘Mademoiselle Chanel’, ao lado da incrível Marília Pêra. Como surgiu o convite e qual a sensação de estar em um palco contando essa história famosamente mundial?

    L.W: O convite para trabalhar com Marília Pêra foi incrível. Eu quase não aceitei, pois não era atriz. Mas a coisa começou a crescer e eu vi que era um projeto diferenciado. Não era fácil, pois eu tinha crianças pequenas na época além do trabalho na televisão.

    Conheci Marília entrevistando sobre um novo projeto que ela lançaria na época. Ela gostou do meu trabalho como entrevistadora e, a partir daí, quando surgiu o roteiro da peça de Chanel, me indicou para o diretor, falando que gostaria de fazer a peça comigo. Fiz o teste com centenas de mulheres. Como eu já era modelo há muito tempo, conhecia as passarelas e sabia descer a réplica da escada da maison Chanel em Paris, na Rue Cambon.

    Eu também sabia muito da história da Chanel, não tudo. Aprendemos muita coisa durante o estudo da peça. Peguei o trabalho, e atuei ao lado da Marília e da Elen Londero durante três anos. Foi uma grande honra, éramos bem próximas. Não só como atrizes, mas também como amigas. Inclusive, estava no contrato da Marília que ela não faria a peça se não fosse conosco, eu e Elen, que fizemos as duas modelos. Essa ligação com a Marília era bem forte.

    Mas, que bom que eu aceitei. Além de toda a experiência, foi um trabalho belíssimo. Nos primeiros anos em São Paulo, e depois em outras localizações. Tive muito contato com Karl Lagerfeld. Para Marília, não importava tanto quem era o Karl, mas eu conhecia o Karl e era a modelo do grupo. O entendimento de uma atriz para uma modelo é muito diferente, se falando de moda.

    Uma tristeza enorme nenhum dos dois estar entre nós. Nem Marília, nem Karl. Eles deixaram um legado importante com esse projeto.

    A peça teve estreia em 2004, com texto de Maria Adelaide Amaral, direção, cenografia, iluminação e trilha sonora de Jorge Takla, Mademoiselle Chanel teve seus figurinos confeccionados em Paris pela própria Maison Chanel.

    R.O: Para conhecer melhor a estilista, quais suas indicações?

    L.W: Acho que o mais bacana atualmente são os vídeos que a própria Chanel tem divulgado. Antigamente, era apenas no site, mas hoje estão no Instagram. São vídeos curtos que trabalham um tema por vez, falando da Coco Chanel. Sabe-se que a Chanel mentia muito, isso não é segredo. Porém, como os conteúdos são veiculados pela própria marca, podemos acreditar na veracidade.

    Um dos grandes mistérios que cercam o universo Chanel, por exemplo, é sua participação no regime nazista como espiã. Em um estudo recente, descobri sim, a confirmação no nazismo. Chanel morreu com quase noventa anos. São muitas histórias.

    Para saber mais e ficar por dentro dos projetos da Laura Wie, indico seguir já o Instagram @Laura_Wie. Obrigado, Laura!